Hoan-Lan ou a Lenda da Orquídea

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1986

Distantes e de trato difícil, as orquídeas são a motivação de muitos cultivadores de flores e a elas está ligada uma lenda de amor e paixão…

Na cidade de Anam existia uma formosa jovem chamada Hoan-Lan que se divertia a deixar-se amar, desprezando depois todos os que lhe prestavam o seu amor, levando mesmo muitos homens ao suicídio, devido à sua frieza e desprezo.

A determinada altura, um poderoso deus decidiu que Hoan-Lan tinha ido demasiado longe e castigou-a. E o castigo foi fazer com que a jovem volúvel se apaixonasse perdidamente pelo formoso Mun-Say, sem que este lhe prestasse a mais pequena atenção.

Treslouca, Hoan-Lan procurou o deus da montanha de Tan-Vien e implorou-lhe ajuda, mas este estava tão zangado que a enviou embora. À saída da gruta, Hoan-Lan encontrou uma bruxa de pés de cabra que lhe ofereceu a vingança contra Mun-Say, a troco da alma da jovem. Hoan-Lan aceitou o contrato e a bruxa fez um feitiço com uma folha de palmeira e enterrou-a, pronunciou umas palavras desconhecidas e desapareceu.

Passados uns dias, Hoan-Lan viu de longe seu adorado Mun-Say e correu para ele mas quando se preparava para o abraçar, o jovem transformou-se numa árvore de ébano. Nesse momento apareceu a bruxa e disse-lhe que esta era a vingança prometida que não lhe permitia a ele amar mais ninguém. Hoan-Lan suplicou que o feitiço fosse desfeito mas a bruxa não lhe deu ouvidos.

Chorando junto do amado, ali ficou durante muito tempo até que despertou a compaixão de um deus que, colocando um dedo na sua testa a perdoou, transformando-a numa flor antes que a bruxa lhe retirasse a alma. No entanto concedeu-lhe que não se separasse do objecto do seu amor, vivendo da seiva da árvore. Enquanto falava, a jovem ia-se transformando, enrolando-se os braços na árvore, numa derradeira súplica. E foi assim que apareceu a primeira orquídea segundo a lenda de Anam.

Existem milhares de espécies de Orquídeas espalhadas por todo o mundo. Cada uma têm a sua particularidade, o seu habitat peculiar e as suas exigências. Algumas espécies são mais fáceis de manter e florir, mas também existem algumas que quase levam ao desespero os amantes de flores com menos paciência.

As orquídeas provêm habitualmente das florestas tropicais húmidas, mas actualmente encontram-se espalhadas por todo o mundo, sendo que muitas são criadas totalmente em estufas, uma vez que a sua captura nos locais de origem encontra-se proibida por lei.

Existem sete espécies de orquídeas: Cymbidium, Dendrobium, Ludiscias, Miltonias, Paphiopediluns, Phalaenopsis, Sobralias e estas dividem-se em sub-grupos. Em Portugal as mais fáceis de encontrar são as Cymbidium, que existem em várias cores e tamanhos e dependendo da raridade espécie, da quantidade de bolbos no vaso e das condições da planta.

Nas zonas mais a sul de Portugal , podem mesmo ficar na rua durante todo o ano, embora seja necessária alguma protecção contra as geadas. Não necessitam de sol directo e o vaso deve ter um bom sistema de drenagem para que os bolbos e raízes não apodreçam.

A Dendrobium é uma orquídea completamente diferente, porque não possui bolbos nem grandes folhas carnudas. A espécie Ludiscias é originária da Indonésia e tem um aspecto diferente das que normalmente se conhecem. Os troncos são carnudos e ligeiramente torcidos e as folhas são aveludadas, de cor verde escura com listas púrpura, podendo a planta atingir cerca de 25 cm.

A Miltonias é uma orquídea de fácil manutenção e floração, necessitando apenas de uma temperatura nunca inferior a 13ºC e vasos que permitam o arejamento natural das raízes. As cores que predominam, entre outras mais raras, são os rosas fortes, vermelhos e castanhos-avermelhados.

A Paphipedilum é também uma planta de fácil manutenção e em Portugal que pode mesmo ser mantida no exterior nos meses de temperaturas mais amenas, mas não deve ser exposta à chuva. Por isso também não a deve regar muito, sendo preferível regá-la num prato por debaixo do vaso.

Sem bolbos, a Phalaenopsis conta com pares de duas folhas largas e carnudas em camadas sucessivas que são substituídas por novas. Do tronco pode surgir um número de flores muito variável.

Os finos pés da sobralias podem atingir uma altura de 50 cm. e são parecidas com uma pequena cana, mantendo as folhas verdes todo o ano. Não necessita de cuidados especiais e deve ser regada normalmente, excepto no período de Inverno, de Novembro a Abril, altura em que está em repouso e que se deve regar apenas o suficiente para a manter viva.

De Abril a Julho é o período que necessita de mais atenção na alimentação e rega, porque as flores estão prestes a nascer. No Verão, deve regar-se bastante, porque é o período de crescimento da planta.

Já sabe, então, as opções que tem em relação à orquídea mas terá de se munir de muita paciência porque algumas das espécies demoram mais de cinco anos a dar a primeira flor.

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